Informações sobre o disco

O álbum Missa Breve, lançado em 1973 é considerado um dos trabalhos mais sofisticados e experimentais de Edu Lobo. Gravado em 1972, o disco marca sua transição de um estilo puramente Bossa Nova para uma sonoridade que funde elementos de Jazz, ritmos regionais brasileiros e arranjos orquestrais complexos.

Em 1969, antes de partir para os Estados Unidos, Edu Lobo avisou: “Vou viajar cantor e voltar compositor”. À época, deixava para trás o posto de astro dos festivais da canção para mergulhar mais fundo na música, ampliando seu domínio como arranjador e orquestrador. Quatro anos depois, ao retornar ao Brasil, apresentou o resultado dessa transformação no álbum Edu Lobo, lançado em março de 1973 pela Odeon — disco que muitos passaram a chamar de “Missa breve”, embora esse não seja seu título oficial.

O apelido surgiu porque o lado B do LP é inteiramente ocupado por uma suíte litúrgica composta por cinco movimentos — Kyrie, Glória, Incelensa, Oremus e Libera-nos — reunidos sob o nome de Missa breve. Trata-se de uma missa nada clerical, concebida com a liberdade criativa de um autor popular, em abordagem ousada e sofisticada. Já o lado A apresenta cinco canções (três inéditas à época) que dialogam com o cancioneiro que o artista vinha construindo desde os anos 1960, funcionando como uma espécie de continuidade de sua trajetória anterior.

Produzido por Dori Caymmi, com direção musical do maestro Lindolfo Gaya, o álbum reúne dez composições autorais com arranjos elaborados assinados pelo próprio Edu. Gravado em 1972, o disco marca de forma clara a transição do compositor: se no início da carreira ele surgira como um “filho temporão” da Bossa Nova, nunca se prendeu à estética solar do gênero, como fez o contemporâneo Marcos Valle. Sua afinidade sempre pareceu maior com Dori Caymmi, parceiro estético e arquiteto sonoro desse trabalho de 1973.

Discípulo da maestria de Antonio Carlos Jobim, Edu também carregava forte influência de sua ascendência pernambucana, herdada do pai, o compositor e jornalista Fernando Lobo. Essa vertente regionalista — sem qualquer ranço folclórico — já havia se destacado em “Ponteio” (1967) e reaparece com vigor no lado A do álbum de 1973, especialmente em “Vento bravo” e “Viola fora de moda”, duas contribuições marcantes ao seu repertório.

Com capa fotografada por Cafi, que captura o artista em movimento numa imagem propositalmente desfocada, o disco parece condensar duas obras independentes em um único LP: de um lado, canções mais acessíveis; do outro, a suíte litúrgica de arquitetura complexa. Essa dualidade traduz o momento de transição e maturidade do compositor.

O álbum consolidou a evolução artística de Edu Lobo e reafirmou sua busca obstinada pela harmonia perfeita. Busca que, para muitos, encontrou uma de suas expressões mais perfeitas justamente no álbum Edu Lobo, de 1973.

Tracklist

Lado A

Vento bravo (Edu Lobo e Paulo César Pinheiro)

Viola fora de moda (Edu Lobo e Capinan)

Porto do sol (Edu Lobo e Ronaldo Bastos)

Zanga, zangada (Edu Lobo e Ronaldo Bastos)

Dois coelhos (Edu Lobo e Ruy Guerra)

Lado B

Kyrie (Edu Lobo)

Gloria (Edu Lobo)

Incelensa (Edu Lobo e Ruy Guerra)

Oremus (Edu Lobo)

Libera nós (Edu Lobo)

Compre as Versões Anteriores